Martínez, sempre
recordaba que sendo criança começou a escrever
contos em sua Tucumán natal, ao norte de Argentina,
porque seus padres o castigaram proibindo-lhe por um mês
a ler ou escutar contos e ir ao cinema. "Me dice:
vou a contar-me uma história a mim mesmo. Me inventei
uma história de um menino, ao qual seus pais lhe
castigam, se escapa da vigilância familiar metendo-se
em uma aventura. E assim acabava conhecendo o mundo",
costumava recordar.
De jovem começou a trabalhar como jornalista na
'La Gaceta' de Tucumán. Logo se mudou a Buenos Aires
e trabalhou como crítico de cinema em 'La Nación'
e editor da revista semanal 'Primera Plana'. Sua primera
novela, 'Sagrad', foi publicada em 1969. Em 1973 surgiu
seu livro de testimunhos 'La pasión segundo Trelew'
que narrava o fusilamento de 16 guerrilheiros presos em
uma prisão da Marinha de Guerra Argentina e que
mais tarde terminou queimado em um quartel pelos militares
da ditadura (1976-1983).
Em 1975, durante o Governo da
Presidenta Isabel Martínez
viúva de Perón, ameaçado pela banda
terrorista paraestatal Aliança Anticomunista Argentina
(Triple A), foi obrigado a sair do país. Se exilou
em Venezuela, aonde foi cofundador do 'El Diario' de Caracas,
o primeiro jornal com manual de estilo no país e
um dos primeiros com essas características em América
Latina.
Também foi editor do suplemento 'Papel Literario'
do diário “El Nacional” (1975-1977)
e assesor da direção desse mesmo diário,
entre 1977 e 1978. Esse ano publicou o ensaio "Los
testigos de afuera" de crítica literária,
que contêm pensamentos de diferentes personagens
sobre Venezuela "con ojos amorosos o críticos".
Mestre do jornalismo
Regresou do exilio a Argentina em 1987 e fundou o diário
'Página 12'. Em 1995 foi convidado a trabalhar como
diretor do Programa de Estudios Latinoamericanos da Universidade
de Rutgers, pelo que se mudou a Nova Jersey. Ainda assim,
ele preferia dizer que trabalhava em Estados Unidos mas
que vivia em Argentina.
Entre suas obras figuran, ademais, o ensaio "Estructuras
del cine argentino" (1961), e as novelas "Sagrado" (1969), "El
cantor de tangos" (2004) e "Purgatorio" (2008).
Em 2009 lhe outorgaram o Prêmio Ortega e Gasset à Trajetória,
em sua 26° edição e com um jurado presidido
pelo filósofo e acadêmico da língua
Emilio Lledó, por considerar-lhe "mestre de
repóteres e exemplo de excelência em una das
carreiras de jornalismo mais brilhantes na língua
castelhana", segundo a ata do anúncio do galhardão.
Tomás Eloy Martínez teve um papel central
na criação da Fundación Nuevo Periodismo
Iberoamericano, instituição com a que ATEI
mantêm laços estreitos de colaboração.
/ JGC PrensATEI.